A família de um paciente internado na clínica Caminha Comunidade Terapêutica denunciou, nesta segunda-feira (13), a morte do rapaz enquanto ele ainda estava sob os cuidados da unidade. A instituição fica em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
Em entrevista ao BNews, Luciana Guimarães, irmã da vítima, Luiz Vicente Guimarães, contou que Luiz era dependente químico e havia sido internado para tratar o vício. Segundo ela, o paciente chegou a pedir para voltar para casa, alegando maus-tratos. Ansioso, acabou não esperando a família e tentou fugir do local.
“Na tentativa de fuga, ele foi capturado pelos seguranças da clínica, que, pelo que soube, são internos que já estão lá há mais tempo e passam a fazer a vigilância. São pessoas com porte físico forte. Pegaram meu irmão e tentaram afogar ele, acho que no mangue”, relatou.
A empresária disse ainda que a clínica informou que Luiz teria se afogado e que chegou a ser socorrido com vida para um hospital da região. A família, no entanto, contesta essa versão.
“Meu irmão era um exímio nadador. Apesar da dependência química, ele era esportista. Então, para a gente, ele foi brutalmente espancado. A médica disse que ele já chegou sem pulso, sem respiração”, afirmou.
Luciana também relatou que a família registrou um boletim de ocorrência contra a clínica e, posteriormente, complementou as informações após ser procurada por testemunhas de dentro da unidade. Segundo ela, essas pessoas afirmaram que Luiz foi agredido e levado de volta à clínica sujo de lama, em um carro de mão.
“Eles entraram em contato porque meu irmão tinha dado o telefone. Viram as agressões e também sofreram violência ao tentar defendê-lo. Outros pacientes chegaram a fazer um quebra-quebra dentro da clínica”, disse.
A despedida de Luiz Vicente está marcada para esta terça-feira (14), às 12h30, no Cemitério Campo Santo, na capital baiana. O sepultamento deve ocorrer às 16h30.
O QUE DIZ A CLÍNICA
Procurada, a clínica Caminhar Comunidade Terapêutica apresentou uma versão diferente da relatada pela família. Em nota, a instituição afirmou que Luiz Vicente estava internado havia menos de 30 dias e atravessava o período considerado mais delicado da desintoxicação, com acompanhamento médico e terapêutico.
Ainda conforme a unidade, no domingo (12), o paciente teria sido atingido por uma crise severa de abstinência e, em meio a um “ímpeto incontrolável”, conseguiu sair da clínica ao pular o muro, correndo em direção a uma área de manguezal próxima.
A clínica sustenta que houve mobilização imediata para localizá-lo e que, ao ser trazido de volta, Luiz já apresentava sinais de desgaste físico intenso. A equipe, ainda de acordo com o relato, prestou os primeiros atendimentos e fez a transferência em caráter de urgência para um hospital da região.
A morte, diz a instituição, ocorreu já na unidade hospitalar, apesar — como pontua a nota — da “rápida resposta” da equipe e dos esforços médicos.
A direção também informou que os responsáveis já prestaram esclarecimentos à polícia e que a clínica segue à disposição das autoridades. No posicionamento, a morte é tratada como uma fatalidade ligada à imprevisibilidade de quadros agudos de abstinência.
Leia a nota na íntegra:
"Clínica Caminhar Comunidade Terapêutica, A Clínica Caminhar, instituição dedicada à reabilitação e tratamento de dependência química, vem a público, por meio de sua assessoria jurídica, prestar os devidos esclarecimentos acerca do lamentável falecimento do paciente Luíz Vicente Guimarães, ocorrido no último domingo, 12 de abril de 2026.
Inicialmente, a direção da Clínica e todos os seus colaboradores expressam o mais profundo pesar e solidariedade à família e aos amigos do paciente neste momento de imensa dor. Com o compromisso inegociável com a transparência e a verdade dos fatos, esclarecemos que:
Do Internamento e Quadro Clínico: O paciente Luiz encontrava-se em tratamento em nossa unidade há menos de 30 dias, motivado por dependência química. Durante este período inicial, que é clinicamente reconhecido como a fase mais crítica da desintoxicação, o paciente vinha recebendo todo o suporte médico, psicológico e terapêutico adequado ao seu quadro.
Da Dinâmica dos Fatos: No domingo (12/04/2026), o paciente foi acometido por uma severa crise de abstinência. Em um ímpeto incontrolável decorrente de seu estado clínico, o mesmo conseguiu evadir-se das dependências da clínica, pulando o muro da instituição e correndo em direção a uma área de manguezal nas proximidades.
Do Resgate e Socorro Imediato: Imediatamente após a evasão, houve uma mobilização para o seu resgate. Ao retornar às dependências da clínica, o paciente apresentava sinais de extremo desgaste físico. A equipe de plantão e a direção da clínica agiram de pronto, prestando os primeiros socorros e realizando a transferência imediata e em caráter de urgência para a unidade hospitalar de referência mais próxima.
Do Óbito: Infelizmente, apesar da rápida resposta da nossa equipe e de todo o esforço do corpo médico do hospital que o recebeu, o paciente não resistiu e veio a óbito nas dependências daquela unidade de saúde. Da Colaboração com as Autoridades: Ressaltamos que a direção e os sócios da Clínica já compareceram espontaneamente perante a autoridade policial competente, prestando todos os esclarecimentos necessários e colocando-se à inteira disposição para colaborar com as investigações e elucidação completa dos fatos.
A Clínica Caminhar reitera que atua em estrita observância às normas legais e demais órgãos reguladores, mantendo protocolos rigorosos de segurança e cuidado com seus pacientes. O ocorrido trata-se de uma fatalidade decorrente da imprevisibilidade inerente aos quadros agudos de abstinência severa.
Por fim, em respeito à privacidade da família enlutada e ao sigilo médico, a instituição limitará suas manifestações aos órgãos oficiais de investigação, confiando na apuração técnica e isenta por parte das autoridades competentes. Salvador/BA, 14 de abril de 2026.
CAMINHAR COMUNIDADE TERAPÊUTICA"
0 Comments:
Postar um comentário