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Nova droga em Salvador, K9 entra no centro do debate sobre população de rua

 

O avanço da população em situação de rua ao longo da Avenida Vasco da Gama, em Salvador, virou centro de um debate sobre saúde pública e segurança. Na última segunda-feira (18), o prefeito Bruno Reis (União Brasil) chamou a atenção das autoridades policiais para a região e dizendo que parte dos desabrigados que se encontram nesta região da cidade estariam trocando material reciclado por drogas, em especial a “K9”, um tipo de canabinoide sintético.

“Ali na Vasco da Gama, a gente aproveita para chamar a atenção das autoridades. Também é um problema de polícia. Nós estamos aprovando na Câmara uma medida para impedir, no entorno de vias, o descarte de materiais reciclados. Porque em muitos casos nós sabemos que estão sendo trocados por drogas”, disse o prefeito, durante o lançamento da Lei do Programa Vida Nova, realizado no bairro do Comércio.

“Infelizmente, existe uma droga nova, o K9, que é muito mais barato e que tem atraído naquela região milhares de pessoas que estão em situação de rua, mas são dependentes de substâncias psychoativas e que não conseguem mais discernir para aceitar o nosso acolhimento”, acrescentou.

O que é a K9?

O K9 integra o grupo dos chamados canabinoides sintéticos, conhecidos popularmente como drogas K, entre elas K2, K4 e K9. Apesar do nome remeter à cannabis, essas substâncias não possuem relação direta com a maconha natural. Produzidas integralmente em laboratório, elas tentam reproduzir os efeitos do tetrahidrocanabinol (THC), principal composto psicoativo da cannabis.

As drogas sintéticas são classificadas como novas substâncias psicoativas e, muitas vezes, são desenvolvidas justamente para driblar as listas de controle de entorpecentes previstas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O que dizem as forças de segurança

Apesar da fala do prefeito, uma fonte do Departamento de Polícia Técnica (DPT), ouvida pelo Bahia.ba, disse que não há elementos concretos que comprovem a relação direta entre os casos registrados na Vasco da Gama e o uso do K9.

“A gente não pode garantir que a situação que está acontecendo na Vasco da Gama seja diretamente atribuída à K9, porque até onde eu sei não foi registrada nenhuma ocorrência de apreensão. Creio que não existe um levantamento oficial sobre [a apreensão de K9 na avenida]”, declarou a fonte, sob reserva.

Procurada, a Polícia Civil informou, por meio de nota, que o Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) realiza ações constantes de inteligência e diligências em campo na Vasco da Gama, bem como em outros pontos de Salvador, Região Metropolitana (RMS) e interior.

A instituição destacou que, entre janeiro e abril deste ano, as forças de segurança já apreenderam 440 quilos de maconha e cocaína em todo o estado. No entanto, o balanço enviado pela polícia não detalhou nenhuma quantidade ou ocorrência específica envolvendo a K9.

Resistência ao acolhimento e a atuação da Sempre

A resistência de uma parcela da população de rua em aceitar os abrigos municipais, citada por Bruno Reis, foi endossada pela Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre). Questionada pelo bahia.ba sobre as ações na região, a pasta explicou que o Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas) monitora o local diariamente.

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